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Blog | Moksha Yoga

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O sofrimento que a mente cria: sofrimento emocional

13 de set.
6 min de leitura

O sofrimento humano pode ser compreendido em: o sofrimento que tem sua origem no que está acontecendo aqui e agora e o sofrimento que nasce das próprias construções da mente.


Essa distinção é importante porque, embora ambos possam ser sentidos com intensidade, suas origens são diferentes e, por isso, exigem formas diferentes de serem compreendidos.


Pessoa sozinha numa praia arenosa, com sombra longa ao pôr do sol, em cenário amplo e vazio.

O SOFRIMENTO QUE ACONTECE AQUI E AGORA


Existe um tipo de sofrimento que independe daquilo que você pensa sobre ele.

É a dor física, uma doença, a fome extrema, o frio ou o calor intenso, uma lesão ou qualquer outra condição que esteja efetivamente acontecendo no presente.


Uma pessoa com fome continua com fome mesmo que pare de pensar sobre a fome. Uma pessoa com dor de dente continua sentindo a dor mesmo que tente não pensar nela.


Você pode retirar a atenção daquele sofrimento por algum tempo, mas a causa continua existindo enquanto estiver presente.


Esse é o sofrimento que podemos chamar de real: aquele cuja origem está efetivamente acontecendo no presente.


E, em muitos desses casos, existem soluções concretas para o problema.


O dinheiro pode proporcionar acesso à comida, à água, a medicamentos, a tratamentos, a hospitais, a roupas e a abrigo.


Quando a causa do sofrimento está acontecendo aqui e agora, é preciso lidar com aquilo que está acontecendo.


Mas existe outra forma de sofrimento.

E é justamente aqui que a investigação se torna mais profunda.


O SOFRIMENTO QUE A MENTE CRIA


Grande parte do sofrimento humano não nasce de algo que esteja acontecendo neste exato momento, mas daquilo que a mente continua produzindo a partir do passado ou projetando em direção ao futuro.


É um sofrimento que permanece porque a mente continua voltando a ele, pensando nele, recriando-o e mantendo-o presente na experiência.


Na linha do tempo — passado, presente e futuro —, ele não está acontecendo no presente.


Talvez, neste momento, você esteja sentado confortavelmente em sua casa.


Não esteja passando fome.

Não esteja em um hospital enfrentando uma doença grave.

Não esteja sendo fisicamente ameaçado.

As paredes estão no lugar. O teto não está prestes a cair.

Seu corpo está protegido


Então, se nada disso está acontecendo agora, de onde vem aquilo que está fazendo você sofrer?


É aqui que encontramos o sofrimento emocional.


Chamamos esse sofrimento de "irreal" não porque a sensação seja falsa ou porque você não esteja realmente sofrendo, mas porque a origem daquilo que está sendo vivido não está acontecendo no presente.


Você sofre porque a mente retorna ao passado, revive acontecimentos, reconstrói conversas, repete cenas e continua alimentando pensamentos sobre aquilo que já aconteceu.


Uma situação que terminou há anos pode continuar sendo revivida mentalmente como se estivesse acontecendo agora.


Ou então a mente se projeta para o futuro, imagina possibilidades, cria cenários, antecipa acontecimentos e passa a reagir emocionalmente a situações que ainda nem aconteceram.


O acontecimento não está presente. Mas o pensamento sobre ele está.


É nesse movimento que a mente consegue transformar algo que não está acontecendo agora em uma experiência de sofrimento no presente.


Você pode comprar comida, roupas, bens e tudo aquilo que o dinheiro puder proporcionar. Pode mudar de casa, trocar de carro, viajar, buscar conforto e acumular coisas.


Tudo isso pode proporcionar prazer, segurança ou alívio momentâneo, mas não necessariamente toca a causa do sofrimento emocional.


Não adianta tentar resolvê-lo apenas no nível material, porque a origem desse sofrimento está na própria atividade da mente.


Enquanto a mente continuar viajando para o passado ou projetando cenários para o futuro, continuará produzindo sofrimento a partir dessas construções.


QUANDO A MENTE VIAJA NO TEMPO


Ir ao passado, por si só, não produz sofrimento.

A memória é uma capacidade natural da mente.


O problema começa quando você utiliza essa capacidade para permanecer repetidamente em experiências dolorosas, revivendo aquilo que aconteceu como se estivesse acontecendo novamente.


Da mesma maneira, imaginar o futuro não é um problema.

Planejar, antecipar e considerar possibilidades fazem parte da vida.


O sofrimento surge quando a mente transforma possibilidades em ameaças concretas e passa a reagir emocionalmente a acontecimentos que ainda não existem no presente.


Você pode passar horas sofrendo por uma conversa que já terminou.

Pode sentir medo de uma situação que talvez nunca aconteça.

Pode reviver mentalmente uma rejeição de anos atrás.

Pode imaginar dezenas de cenários possíveis para algo que ainda nem aconteceu.


E, enquanto tudo isso acontece dentro da mente, a vida continua acontecendo aqui.


O presente pode estar completamente tranquilo, enquanto dentro de você existe uma tempestade.


O SOFRIMENTO QUE A MENTE CRIA


É como se você pegasse um chicote e começasse a chicotear as próprias costas enquanto, ao mesmo tempo, gritasse por ajuda.


Não existe outra pessoa fazendo aquilo com você.


É a própria mente produzindo a experiência e, depois, sofrendo com aquilo que ela mesma produziu.


É importante compreender isso sem transformar essa percepção em culpa.

Você não precisa se culpar por sofrer.

O ponto é perceber o mecanismo.


Enquanto você acredita que precisa fugir daquilo que está acontecendo dentro da sua mente, continua preso ao próprio mecanismo que produz o sofrimento.


E é por isso que tentar resolver esse tipo de sofrimento apenas no mundo externo não alcança a sua causa.


VOCÊ PODE MUDAR O LUGAR, MAS A MENTE VAI JUNTO


Quando o sofrimento é emocional, muitas vezes tentamos resolvê-lo mudando as circunstâncias.


Buscamos uma nova experiência.

Um novo relacionamento.

Mais dinheiro. Mais trabalho.

Mais entretenimento. Mais prazer.

Mudamos de ambiente, viajamos, compramos coisas, procuramos distrações.


Tudo isso pode produzir alívio.

Mas o alívio passa.


Porque onde quer que você vá, a sua mente vai junto.


Se a origem do sofrimento está na maneira como a mente está funcionando, não existe mudança externa capaz de resolver definitivamente aquilo que continua sendo produzido internamente.


Por isso, o fim desse sofrimento não está simplesmente em encontrar mais prazer.

Está em compreender quem é aquele que está sofrendo.


A IDENTIFICAÇÃO É A RAIZ DO SOFRIMENTO


É aqui que retomamos uma investigação que já apareceu nos textos anteriores deste blog.


Sofremos emocionalmente porque nos identificamos com aquilo que percebemos.


Identificamo-nos com o corpo.

Com os pensamentos.

Com as emoções.

Com nossas histórias.

Com aquilo que a mente diz que somos.


A consciência que percebe passa a se confundir com aquilo que é percebido.


E, quanto maior essa identificação, maior a capacidade que os movimentos da mente têm de nos arrastar.


Um pensamento surge e acreditamos que somos aquele pensamento.

Uma emoção aparece e acreditamos que somos aquela emoção.

Uma situação acontece e imediatamente construímos uma identidade em torno dela.


É assim que a experiência deixa de ser apenas uma experiência e passa a definir quem acreditamos ser.


O sofrimento emocional é proporcional à nossa ignorância sobre quem realmente somos.


O QUE A MEDITAÇÃO COMEÇA A REVELAR


É por isso que o autoconhecimento e a meditação ocupam um lugar tão importante no caminho do Yoga.


A meditação não existe simplesmente para fazer você se sentir melhor.

Ela permite observar o próprio mecanismo da mente.


Você começa a perceber pensamentos surgindo.

Emoções surgindo. Sensações surgindo.


E, pouco a pouco, começa a perceber uma diferença fundamental:


há aquilo que é percebido e há aquilo que percebe.


Quando essa distinção se torna clara, a identificação começa a perder força.


Você continua sentindo.

O corpo continua sentindo.

A mente continua produzindo pensamentos.

As emoções continuam surgindo.


Mas algo muda na maneira como você se relaciona com tudo isso.


SENTIR NÃO É O MESMO QUE SOFRER


Não se trata de deixar de sentir.


Você sente.

Seu corpo sente.


Algumas experiências serão agradáveis e outras serão desagradáveis.


A diferença está em não permitir que aquilo que acontece internamente arraste você completamente consigo.


Uma coisa é atravessar uma experiência desagradável.

Outra é perder o próprio centramento porque você se identificou completamente com aquilo que está acontecendo.


A dor pode aparecer.

A emoção pode aparecer.

O pensamento pode aparecer.


Mas você começa a perceber que existe uma consciência que observa tudo isso.


E quanto mais você reconhece essa posição de observador, menos aquilo que é observado tem poder para definir quem você é.


É nesse ponto que a meditação deixa de ser apenas uma técnica para aquietar a mente e começa a revelar sua verdadeira finalidade: desmontar, pouco a pouco, a identificação entre aquilo que você realmente é e aquilo que está apenas acontecendo em você.


E quando essa identificação começa a se dissolver, algo muito simples pode ser percebido:

você pode sentir sem se perder.


Pode observar sem se identificar.

Pode atravessar a experiência sem deixar de estar presente em si mesmo.


É nesse silêncio que o Yoga começa a apontar para uma liberdade que não depende de controlar aquilo que acontece fora ou dentro de você, mas de reconhecer, cada vez mais profundamente, quem é aquele que está percebendo tudo isso.

 
 
 

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